03 agosto 2008

Design de vida ou vidas sem design


Quem gosta de praia?

Bem esta pergunta pode despertar a curiosidade...ou não, mas num país com as temperaturas como as nossas é raro alguém dizer abertamente que não gosta de praia.

No meu caso pessoal...gosto (e sim até os mais cépticos podem não acreditar mas gosto até bastante de praia).

Do que não gosto são alguns pormenores...entenda-se (acessórios) que dispenso; gritaria, miúdos que atiram areia num raio de 2 metros quadrados, chapéus de sol que voam sem que os proprietários se apercebam e invariavelmente vêem aterrar perto de mim e o suprsumo do irritante...a bela da bola de praia que me caí em cima como se fosse um meteorito...seguida do "desculpe, foi sem querer!"

As minhas reacções perante estes acessórios são de algum tempo para cá a tentativa de ignorar o que se passa à volta e esforçar-me por gozar o meu pedaço de areia de forma proveitosa. Não é fácil, mas pelo menos tento!

Hoje lá fui eu de amnhã cedo, ainda com a pestana meia aberta e o humor não completamente desfraldado. O trânsito que se forma no mero espaço de 15m que me atrsei...já tinha começado, mas enfim... feitas as contas lá se deu o estacionamento no local previsto sem grandes demoras e de saquinho ao ombro lá fui lampeirinha para o areal...

Toalha estendida, roupa tirada e enfim cá estou eu no mais democrático dos fóruns da humanidade. Para meu descontentamento lá me apercebo que não levei livro...(que nervos...parva - digo a mim mesma), mas enfim...areia pela frente sem muita gente à volta, sol quentinho, está tudo ok.

A coisa dura...lá fui meter o dedo na água a testar a dita e veredicto - está fria que se farta! mas volto quase toda molhada, estendo-me na areia e lá peregrina mais uma familia em busca do seu espaçito de sol. Nada de estranho...instalam-se, coisa que levanta pelo menos uma duna de areia...(nunca percebi como é que é preciso mexer tanto os pés para colocar 3 chapéus de praia, 2 lancheiras, 1 meia tenda e sei lá que mais parafernália...parece que se vão mudar para a praia e não estar lá uma manhã).

Lá se instalam... barulho que se farta mas pronto...faz parte! Os garotos lá vão para a água levantando areia a cada passo que dão e eu apanho com ela em cima Rosno ligeiramente, sacudo a dita e viro a cabeça para o outro lado).

O silêncio começa de novo a fazer-se sentir e o barulho do mar também...ok...perfeito!

Pois, mas como diz o ditado:"Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe!" e fazendo jus a isto lá ficou um elemento da familia XXXL sentado na cadeira, debaixo do chapéu, de roupa vestida...para lá fica rosnando qq coisa q ninguém percebe. Ao fim de uns minutos começa a falar sozinho...(de cabeça enfiada na toalha penso: estás todo queimadinho... até já falas sozinho!), mas não, não falava sozinho... estava a telefonar ao resto da familia a contar as suas desventuras... que em Miami não é nada assim que ele veio parar ao refugo das praias e por aí adiante... (pensei, ele vai chorar, puxa do lenço e coisa fica por aqui...) não...pois o desgraçado do homem (e digo desgraçado porque tenho pena da criatura - estava ali obrigado, detesta praia, só as de Miami (e lá vamos nós outra vez) é que são boas, têm passadiços, têm bares ali ao lado, quase nem se pisa areia (qual é o propósito de vir à praia e não sentir areia nos pés? Se fosse para isso tinha ido à piscina), mas o coitado continua e continua...número após número repete as suas desventuras... quase pedindo socorro a quem quer que o ouvisse para que mandasse uma equipa de resgate que proporcionasse (já agora) cerveja para o regresso à sua querida e estimada casa.

O resto da malta dele regressa e lá atacam o farnel...afinal meia hora de praia abre o apetite...e lá saem das geleiras os sumos, as "sandes", os bolos e até as batatas fritas (gente de alimento).

Admito que uma irritação acabou por se tornar motivo de risota com a companhia... afinal sempre há gente mais "esquisitinha" que eu.

Tive pena do homem...mais ainda quando se pôs a gozar com o filho porque a criança estava com vergonha de se despir e trocar de calções...mas no final ainda comentei...o que é que ele queria? O garoto imita o comportamento que vê à volta. Tenho pena de gente assim, até porque como disse no início... a praia é dos locais mais democráticos que existe... porque não são só os mais afortunados na vida que têm o melhor pedaço de areia, ou que o sol brilha mais para eles...nem são (na maioria dos casos os mais afortunados em termos de beleza, ou até os que mais se divertem).
Cada um desenha a vida como quer, eu admito que me engano muito que desenho muitas linhas que gostaria de poder apagar. No caso de hoje...bem a vida de alguém que vai para onde não quer e ainda se queixa...parece-me que é uma vida sem riscos próprios...apenas os riscos dos outros. Uma vida sem design parece-me triste...