06 abril 2008

mas afinal o que é que isto tem a ver com amor???


O casamento...bem poderia dizer muita coisa, muita coisa romântica e de enternecer, para que quem visse inclinasse a cabeça para o lado ligeiramente pensando: "Que querida! Romântica...", mas a verdade é que não vou dizer nada disso!

Nunca casei, já amei...felizmente posso dizer que na minha idade já amei verdadeiramente, seria desastroso se escrevesse estas coisas sem realmente conhecer o amor (o verdadeiro), não?

Pois é, já amei e é bom, mas não podemos confundir amor com paixão porque na realidade são coisas diferentes, ainda que caminhem pelo menos por algum tempo lado a lado.

A paixão é o arrepio no corpo, (mais ou menos como aquela guloseima que dá estalinhos na boca...como fogo de artificio) é estar feliz sem saber bem porquê, ver o mundo com outras cores, outros sons, mais colorido, mais rico em sensações que trepidam e nos fazem levitar. As famosas borboletas no estômago é a paixão, o nervosismo, a ansiedade da ausência do outro.

Já o amor...bem pode e é em muitos casos o motivador da paixão ou em outros a consequência dela (paixão)...

Conheço alguns casos em que um ou os dois memros de um casal estão verdadeiramente unidos pelo amor, mas na maioria dos casos (se observarmos bem a taxa de divórcios), veremos que na maioria dos casos os casais estão apaixonados pela ideia de amarem, não por amarem realmente o outro.

E aqui chegamos ao ponto que quero focar... a verdade é que é muito fácil dizer "amo-te!", quando na verdade o que pretendemos é lguém para validar a nossa existência, daí os casamentos... (claro que existem excepções, senão o que seria de nós se não exixtissem casos de sucesso) nada mais são do que mostrar à sociedade que contamos como individuos - ainda que sejamos ilustres anónimos http://br.youtube.com/watch?v=ODD6ht5zNFU .

Como ouvi à uns dias [só existe um casal perfeito... ele está de fato, ela vestida de branco, lindos, perfeitos e estão empoleirados em cima de um bolo. A razão do sucesso deste casal??? Não têm de olhar para o outro e ver as imperfeições, que nos tempos de paixão eram completamente invisíveis ou então uma coisa "querida"].

Podem sempre perguntar...(mas afinal, o que é que isto tem a ver com amor???), a resposta...nada!!! Absolutamente nada e no entanto tudo, porque em nome de um "amor" que muitas vezes não sentem homens e mulheres embarcam nesta aventura para descobrirem afinal que uns anos, meses, semanas antes, estavam apenas apaixonados pela ideia de que tinham encontrado a alma gémea, a tal testemunha de que fala a Susan Sarandon no filme.

Não, não sou cínica em relação a estas coisas... acredito que sou uma irremediável romântica que adora todos os gestos queridos e românticos, mas isso não me impede de ver as coisas como elas são, apreciando o lado bom, com a plena consciência das falhas e de que nada é 100% perfeito. Pena, a vida a dois é muito mais que um beijo assolapado, um abraço apertado e a legenda com música de fundo a dizer "fim", implicando "(...) e foram felizes para sempre!"

Gostava que as pessoas estivessem concientes do que embarcam, quando dizem "sim" ou "aceito" à vida em conjunto que muito em breve se torna impossível, à falta de comunicação que existe pelas mais variadas razões. É difícil, se fosse simples todos fariam 50 anos de casamento, não???

Amar uma pessoa mesmo com todos os defeitos, manias, tiques, etc é um feito...acordar passados 20 anos uma manhã de domingo e abraçar o outro com a nocção de que é ali com aquela pessoa, naquele preciso momento que desejamos estar...isso sim é amor, cumplicidade!