09 novembro 2009

Telefone estragado


Um regresso que tem vindo a ser adiado, espero que se concretize agora com mais regularidade.


A verdade por estranho que pareça é que a ausência parece ter provocado uma reflexão, ou antes a necessidade de reflectir sobre a vida, sobre as acções que determinam alguns resultados.


Na semana passada uma pessoa amiga disse-me em conversa banal que estava com uma frase na cabeça e que realmente lhe estava a dar algumas "dores de cabeça", porque deu-se conta do quanto fazia sentido na sua vida.

A frase? Bem... em inglês é: " If you do what you've always done, then you'll only get what you always got!", traduzingo para português... é qualquer coisa como; "Se fizeres tudo como sempre fizeste, então vais ter apenas o que sempre tiveste!"


Ora... bem vistas as coisas e tendo em conta que isto se aplica ao comportamento de cada um na sociedade, tem sentido. Claro que tem!


Dei-lhe a razão e quando me volta a repetir a frase eo quanto lhe estava a dar que pensar... acabei por escrever num pedaço de papel e colocar na secretária ao pé do pc.

Nestes dias que entretanto se passaram, já peguei no papel umas boas dezenas de vezes, e mesmo sem voltarmos a falar no assunto, acabou por marcar-me também.

Talvez porque também esteja a reflectir sobre mim, sobre as minhas acções, sobre o facto de me queixar de que sou mal interpretada, mas a verdade é que eu sou tão culpada como as outras pessoas, porque a impressão que damos de nós é uma informação, se esta é mal entendida então, a transmissão da informação vai ser passada como naquele jogo do telefone estragado, em que cada elo da corrente (pessoa q retransmite informação), o faz de forma pessoal, ou seja recebe a informação e quando chega a sua vez de a transmitir, não o faz de forma fiel, tal e qual ouviu, mas já com base na sua própria interpretação.


Portanto se continuar a passar a informação assim, ela vai ser sempre interpretada e transmitida de uma forma que depois provoca equivocos e algum desconforto para os intervenientes.


2 comentários:

Sara Rodrigues disse...

Sim...... é verdade. Em parte talvez seja inevitável, nunca conseguiremos ter acesso a todos os pontos de vista e por isso,mais ou menos conscientes e cuidadosos com isso, teremos sempre a nossa forma de comunicar, "tingida" pelo que somos e pelo que conseguimos ou não ver e perceber...
...mas outra parte do que falas, acho, tem que ver com os "esconderijos" que arranjamos para nós próprios. Seja porque não queremos aceitar certas verdades ou porque não queremos mostrar o que de facto sentimos ou pensamos, seja por medo de não sermos aceites ou apenas para instintivamente cultivarmos a proximidade com o outro, seja até para motivar certa reacção (admiração, protecção, prazer, etc...), o que eu sinto que me acontece muito é "perder a Verdade interior". Ou seja, pela interacção social, perder a essência do que sou ou sinto, dar por mim num território estranho a pensar "como é que eu vim aqui parar? Não era nada disto...". Ando há anos a trabalhar contra isso. Estou muito melhor. Mas é um trabalho looooooongo... e quase desesperante às vezes!
É a isso que te referes?

Dutolis disse...

Sim, era! Acabo por dar por mim a pensar "caramba, não sou tão má como me pintam!" sim tenho uma intolerância nata à estupidez (não tem a ver c a falta de cultura, mas c o facto de as pessoas não procurarem informar-se... escolherem por opção a ignorância), no entanto acabo sempre por passar a imagem de "má", "arrogante", qd na realidade se observarem para além dessa fachada... a imagem é bem diferente!
A culpa é minha e estou a fazer o sincero esforço de mudar. E está a dar resultado!